Disrupção Financeira

Uma das principais vocações dos executivos da LESSTE FINANCEIRA é a maneira exclusiva de apontar soluções e encontrar caminhos que viabilizam operações financeiras que vão sustentar planos de investimentos, fluxo para capital de giro e até private equity.

E por ser um método próprio, ao falar com nossos clientes, destacamos que sempre devemos buscar o “simples”, o “inédito” e assim com um BP e uma narrativa coerente e consistente, sempre será possível agregar operações de alavancagem.

E neste sentido, para nossa alegria o Professor Clayton Christensen em entrevista destaca a Inovação, como solução simples para grandes problemas que basicamente apresenta o mesmo modelo que a LESSTE.

Leia a entrevista na íntegra:

“Clayton Christensen, especialista em inovação, prof. da Harvard Business School e autor de best sellers, explica por que é difícil para a grandes empresas criar um modelo de negócios que gere a inovação disruptiva.

Vamos começar por, se você fosse explicar inovação disruptiva para seus filhos, como faria?

Quase todas as indústrias provém produtos e serviços que são caros e complicados. Isso significa que, no começo daquela produção, as únicas pessoas que podem possuir os produtos, ou usá-los, ou fornecer os serviços, são pessoas com muito dinheiro e habilidades. Logo, o mercado é muito restrito.

Inovação disruptiva é uma inovação que produz um produto complicado e caro de forma simples e barata, para que um maior número de pessoas possam acessar e usar aquele produto.

Isso significa inovação disruptiva. – Poderia nos dar alguns exemplos de inovações disruptivas? – Claro. Nos EUA, quando Henry Ford criou o seu modelo de carro, isso tornou o carro muito mais barato, e muito mais acessível, o que possibilitou muitas pessoas a adquirir um carro. Então, a Toyota apareceu com carros compactos e baratos. Essa foi uma inovação disruptiva.

E depois da Toyota, surgiram as montadoras coreanas, e agora as chinesas. Cada progresso torna os carros mais acessíveis para a população. O computador pessoal também foi uma inovação disruptiva.

Tornou os computadores tão acessíveis que até pessoas como eu, que não tem a habilidade de operar um computador mainframe, puderam ter um. Esses são alguns exemplos.

Quais são os maiores desafios que as empresas enfrentam quando tentam implementar uma inovação disruptiva?

Bom, toda inovação possui dois componentes. Um é o que chamo de facilitador tecnológico. É quando a tecnologia torna o produto tão simples que qualquer um pode utilizá-lo.

Esse facilitador tecnológico precisa estar embutido no modelo de gestão, para que seja levado ao mercado. Então, por exemplo, com a revolução na genômica ao redor do mundo, estamos caminhando para um diagnóstico muito preciso das doenças. Esse diagnóstico preciso, que é originário da medicina molecular, torna o tratamento muito mais simples, pois se é possível diagnosticar a doença precisamente, pode-se desenvolver uma base de regras para uma medicina preventiva efetiva. Esse é o facilitador tecnológico, então o facilitador de gestão precisa ser posto em prática. Isso significa que se as doenças são preventivamente diagnosticadas, é preciso enquadrar os enfermeiros ao tratamento adequado.

Pois se há como prever as doenças, não é mais necessário um médico. E isso não precisa mais ser feito em um hospital. Por isso, um facilitador tecnológico está ligado a um modelo de gestão.

E criar um modelo de negócio para uma inovação disruptiva é muito difícil para companhias já estabelecidas. Elas têm o facilitador tecnológico, mas o modelo de gestão é o que dificulta.

Por quê? Por que é tão difícil? – A razão pela qual… – É uma falta de criatividade?

Não. A razão é que um começa antes que o outro termine.

Por exemplo, há uma inovação no mercado de softwares que é chamada de ‘software enquanto serviço’. E uma empresa americana chamada Salesforce.com é um grande player nesse mercado.

Ela é disruptiva com relação ao software da SAP e Oracle. Bom, isso se origina primeiramente em pequenas empresas, e então vai subindo para empresas maiores, de forma crescente.

E a SAP e Oracle continuam partindo para mercados maiores também. Essa estratégia sempre deve começar antes que a antiga esteja em dificuldades. Se você espera até que a estratégia antiga fracasse para começar uma nova, seu jogo acabou. E se você tentar mudar a estratégia principal para focar na nova, então você destrói um negócio que estava indo bem.

Por essa razão você precisa começar o novo antes que o antigo esteja saturado. São apenas modelos de gestão diferentes.

 Então você precisa ser o seu próprio concorrente?

Isso mesmo. Gestores que se atentam aos resultados financeiros da empresa, nunca enxergam a importância de começar uma gestão disruptiva, até que seja tarde demais.

E como as empresas devem se organizar para serem seus próprios concorrentes? Você já observou exemplos bem-sucedidos disso?

Na esfera corporativa, é necessário possuir flexibilidade para ter múltiplos modelos de gestão. Um exemplo… Na indústria de computação houve várias formas de disrupção. O primeiro foi o computador mainframe.  A IBM foi a única empresa mainframe do mundo que fez a transição para minicomputadores.

Isso porque eles estabeleceram um novo modelo de gestão em outra parte do país. Todas as outras empresas de computadores mainframe foram arrasadas. Quando o computador pessoal apareceu, a IBM lançou um outro modelo de gestão, e então sobreviveram à transição, e foram os únicos. É como na evolução biológica, eu e você somos indivíduos, nós não somos evoluídos, nós nascemos e morremos. Mas a população evolui, isso é uma certeza. Uma unidade de gestão dentro de uma corporação não foi feita para evoluir, e sim para fazer algo muito bem. Uma corporação pode evoluir ao criar novos modelos de gestão simultaneamente. Mas as unidades de gestão nascem e morrem.

Como você cria, educa, a nível de indivíduos, para inovação e criatividade?

Estamos fazendo um projeto sobre isso agora, mas ainda não está claro, e o projeto não está concluído. Entretanto, aparentemente, quando nós nascemos, nossos cérebros são muito similares, mas experiências precoces em nossa infância determinam o quanto nossos cérebros serão criativos.

A maioria das pessoas criativas, quase sempre, tiveram duas experiências quando eram crianças. Uma é que seus pais e mães tinham uma predisposição a consertar coisas sozinhos. Então, se havia algo errado na casa, eles nunca ligavam para alguém, eles sempre desmontavam e consertavam.

E quando essas pessoas trabalhavam com seus pais, consertando as coisas, isso resultou em duas coisas: Uma é gerar uma curiosidade em saber como as coisas funcionam.

E pessoas inovadoras têm sempre aquela curiosidade de ver algo e dizer: “Estou me perguntando como isso funciona” e então desmontá-lo para ver. Isso é muito importante.

E outras coisas que essa experiência proporciona é de dar a confiança de que se algo está errado, eles podem consertar. E uma inovação quase sempre não é bem sucedida na primeira tentativa.

Você tenta algo, e isso não funciona, e é necessário confiança para dizer: “Não falhamos ainda. Vamos tentar outra vez.”

Nessa de tentar outra vez, você se torna comercialmente um sucesso. São essas duas coisas que parecem estar ligadas de experiências na infância. A curiosidade de querer saber porque as coisas funcionam daquela forma, e a confiança de que você pode consertar as coisas, são atributos de inovadores bem sucedidos. Quando jovens, ou essas coisas estão na nossa mente, ou não estão.

É muito difícil de ensinar alguém na minha idade a ser inovador se não tiveram essas experiências na juventude.

Então é uma questão de contratar as pessoas certas ao invés de treinar uma empresa inteira?

 Exatamente. Mas, uma das coisas que aprendi fazendo esse estudo é que se estou procurando por pessoas inovadoras, preciso entrevistá-las sobre seus pais e como era a vida deles em casa.

Interessante. Um boa questão a se investigar, a criatividade.

É verdade…

Se você pudesse dar um prêmio de pessoa mais inovadora da história, à quem daria esse prêmio?

Acho que daria ao inventor americano Thomas Edison. Edison não era um inovador de modelo de gestão. E ele não era um cientista, ele fez o que em inglês chamamos de pesquisa Edisonian, que é apenas testar uma área. E intuitivamente achou seus caminhos por essas coisas…

Ele fez muitas contribuições.

Sim, com certeza. A luz elétrica, toda a indústria de energia elétrica se originou a partir de Thomas Edison.

A fonografia veio de Thomas Edison, e tantas outras coisas foram resultado disso.

 Você já conferiu os pais dele?

Seria uma boa! É uma grande sugestão! Não, ainda não.

Você pesquisou e pensou sobre inovação. Você também é um investidor em algumas empresas. Tem sido fácil ganhar dinheiro? Acha que tem uma vantagem? Ou é mais fácil apenas ensinar sobre dinheiro aos outros.

Na verdade é fácil ganhar dinheiro.

Se você precisar de um parceiro… Existem algumas coisas… Começamos um fundo de investimentos, o começamos há cinco anos em Boston.

Aqui vai a teoria:  se você tem ações de uma empresa, o preço das ações agora é o preço atual descontado da projeção de crescimento da empresa.

Se os analistas percebem que a empresa crescerá mais rápido que previram, eles pagarão um valor maior pelas ações. Se você tinha as ações quando eles revisaram as previsões, você ganhou muito dinheiro. Mas se a empresa cresce na taxa que os investidores previram, o preço das ações não mudará no mercado.

Então a única forma das ações de uma empresa continuem crescendo, e mais rápido que o mercado, é se os investidores continuarem sendo surpreendidos pelas altas.

“Oh, cresceu mais do que pensamos!” Nesse fenômeno de disrupção que descobri na minha pesquisa, o que acontece é que alguém surge embaixo disso tudo, com um produto acessível, e os investidores, sistematicamente, subestimam seu crescimento. Acontece que os métodos de análise financeira de valores e ações também subestimam o crescimento dessas empresas.

Então, nós analisamos essa estratégia por mais de cinco anos, de investir em empresas disruptivas. É uma estratégia muito simples. Não gerimos, não administramos, não alavancamos.

Se é uma empresa disruptiva: Compre. Ao atingir alto valor no mercado: Venda. E então por cinco anos, tivesse um retorno anual desse portfólio de 36%. Apenas de ações norte-americanas naquela época. Então na verdade é fácil. E existe uma teoria sólida a qual não é apenas baseada na técnica, ou direcionada por algoritmos. É apenas usar seu conhecimento para identificar essas empresas disruptivas. Essa é uma boa estratégia.

– Ok. Muito obrigado por suas considerações.”


Ess entrevista foi concedida a HSM e está disponível no link: https://experience.hsm.com.br/posts/inovacao-disruptiva-os-desafios-de-criar-novos-mercados

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